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26.5.08

Uma sugestão, só

Este sábado tive um prazer meio raro: assisti a um bom filme sobre o qual não sabia nada além de seu título. Quando digo nada, é nada mesmo: não sabia quem estava no elenco, de que país era, do que tratava, não tinha visto trailer, não tinha lido crítica. E valeu bastante a pena.

O filme é Irina Palm. No elenco não tem ninguém que vocês vão se lembrar especialmente, acho; e o diretor, olhei no IMDB e não tinha nada dele de que eu já tivesse ouvido falar. Sobre a história, é melhor não falar nada porque parte da graça foi me surpreender com a situação inusitada por um lado, emocionante por outro, em que a protagonista se mete. Pensei em colocar um trailer aqui pra ilustrar o post, mas ia entregar o que é - até o teaser que tem no YouTube já meio que fala demais. Então, pra quem tá na mesma situação em que eu estava antes de ir ao cinema, vou deixar assim. Não tem link, não tem vídeo, não tem nada - só a recomendação. Quem assistir, depois me diz se gostou.

8.4.08

Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa

Em mais um desses processos pedindo reparação por danos causados pela ditadura, os cartunistas Jaguar e Ziraldo acabaram de ganhar um milhão cada um, mais uma pensão vitalícia de 4 mil por mês. É justo?

Sei que ambos foram perseguidos, tiveram veículos em que trabalhavam censurados (e muito mais) e inclusive andaram sendo presos. Claro, passaram sua cota de perrengue e acredito que inclusive prejuízo financeiro. Mas merecem um milhão cada um, mais quatro mil por mês, do meu, do seu, do nosso? Sei não. De qualquer forma, o pai do Menino Maluquinho (um dos meus livros preferidos de todos os tempos) já avisou que está "se lixando" pra quem não concorda, enquanto o advogado do Jaguar diz que vai recorrer para pedir mais. Então tá, né?

Por essas coincidências da vida, a indenização dos dois saiu mais ou menos na mesma época em que vem ao mundo Ninguém sabe o duro que eu dei, documentário sobre a vida de Wilson Simonal. Este era o cantor mais popular do país até acabar sendo acusado de trabalhar secretamente para a ditadura, delatando gente "de esquerda". Sua imagem caiu em desgraça, a carreira degringolou, o homem virou alcóolatra e acabou morrendo totalmente esquecido pelo público com complicações no fígado. Com a família correndo atrás de limpar seu nome, o Estado acabou emitindo documentos atestando que não há qualquer evidência nos arquivos do SNI de que Simonal tivesse prestado qualquer serviço de informante. De fato, não há registro de alguém que tenha sido delatado pelo suposto delator e tudo parece ter sido mesmo uma grande injustiça.
Não vi ainda o filme, que teve algumas poucas exibições por aí e deve chegar ao circuito em agosto. Mas li há pouco a resenha do Bruno Maia no sobremusica. Olha só um trecho:

Nada é gratuito, desde a construção do mito da primeira parte do filme, até os depoimentos constrangedores de Ziraldo e Jaguar no final, quando ambos tratam com uma leveza que não lhes cabe, o fato de terem conduzido em grande parte a campanha de destruição de Simonal e nunca terem se retratado.

O lance é esse: o Pasquim, popular jornal que é o grande emblema tanto da luta de Ziraldo e Jaguar contra a ditadura quanto da perseguição que sofreram, foi também um instrumento para a execração pública de Simonal, que fez campanha impiedosa contra o "dedo-duro". Dando uma pesquisada por aí, caí em uma matéria da revista Época de quando Simonal já estava vivendo em leito de hospital, amargurado e no fim da vida. O repórter procurou Jaguar, que saiu-se com a seguinte edificante declaração:

"Foi um impulso meu. Ele era tido como dedo-duro. Não fui investigar nem vou fazer pesquisa para livrar a barra dele. Não tenho arrependimento nenhum"

Já a perseguição a ele - que conseguiu manter sua carreira, ganhar seu dinheiro e tem seu talento merecidamente reconhecido e remunerado - mereceu investigação, pesquisa e, claro, uma bela compensação financeira. De novo: então tá, né?

* * * *

De qualquer forma, Simonal é bonzão. Ó o Coquetel tocando a música de onde saiu o título do post:

7.1.08

Voem, passarinhos

Meu amigo Rafael é um grande fornecedor meu de conteúdo aleatório na Internet. Graças a ele, finalmente assisti a cenas de Cinderela Baiana, o filme que lançaria Carla Perez ao estrelato no mundo do cinema. Lembro-me da época em que ele chegou aos cinemas, mas obviamente não paguei ingresso. Assim, até hoje imaginava algo como os filmes caça-níqueis da Xuxa ou Eliana, por exemplo. Meu Deus, como estava enganado!



Como se vê, uma obra de arte, que já gerou comunidades no Orkut. Mas temos ainda uma descoberta surpreendente ao lermos o elenco do filme. Ao lado de astros como Alexandre Pires (que faz o príncipe encantado da história), Netino e Jheremias (não bate corner), temos ninguém menos que Lázaro Ramos, em início de carreira!



Imagino que este filme seja pra ele como o Amor Estranho Amor é pra Xuxa. Enfim, todo mundo tem um passado negro mesmo.

8.11.07

Coisas desse mundo em que vivemos

Melhor ler isso do que ser cego, presumo:

"Não pensei duas vezes antes de dizer "eu faço". Eu queria fazer cinema e estar no dia-a-dia de uma filmagem e sabia que um filme do Chorão não seria algo leve. Ele ia querer ir fundo e fazer algo contundente, pois é um visionário"

É a declaração de Paulinho Vilhena, explicando porque aceitou o papel de protagonista de O Magnata antes mesmo de ler o roteiro.

Ah, sim: Chorão é aquele mesmo, o do Charlie Brown Jr. Apesar do trailer do filme apresentar o crédito "Um filme de Chorão", ele não dirige a produção - é apenas o autor do roteiro original. Não que eu ache errado dizer que um filme é de seu roteirista; apenas não é o usual.

Lembro que, há anos atrás, ameaçou-se uma greve de roteiristas nos EUA e uma das reivindicações da classe era que se parasse de usar o crédito "Um filme de..." para os diretores. Bem, o Chorão chegou lá naturalmente. Talvez os americanos pudessem bater um papo com o cara para pegar umas dicas, agora que realmente paralizaram seus trabalhos, colocando pânico na indústria de entretenimento dos States.

Até onde eu sei, desta vez esta reivindicação dos créditos não está em pauta - apesar de declarações como esta, de um dos roteiristas de Lost: "“Nós somos a principal força criativa desta indústria. Queremos que as pessoas saibam disso." No duro, a briga é pelo pagamento de direitos sobre a distribuição das obras em DVD e novas mídias - internet, celular etc. e tal. Mais um dos conflitos inevitáveis neste momento em que as novas tecnologias estão deixando claro que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.

* * * *

Pra você pensar bem antes de reclamar das suas condições de trabalho: ao que parece, estão aprovando na China uma lei que finalmente cria as férias remuneradas para os trabalhadores de lá. Serão 15 dias para quem chegar aos 20 anos de trabalho. Até hoje, o descanso a que eles têm direito limita-se a três feriados por ano.

26.10.07

The name is Joaquina. Maria Joaquina

Por coincidência, no mês em que estou envolvido com trabalhos em cima do último filme do 007, Cassino Royale, li algumas notícias por aí sobre o próximo filme do agente - mais especificamente, sobre a procura de uma atriz para fazer o papel da próxima Bond girl.

Primeiro, foi o Globo.com quem trouxe a notícia de que estariam interessados em atrizes brasileiras; Fernanda Lima e Juliana Paes teriam sido contactadas. Mas agora, por uma notícia da Folha, percebo que a busca não é especificamente por uma beldade tupiniquim. Imagino que eles estejam precisando de uma musa latina, porque ao que parece também estão procurando no México.

O mais curioso é que uma das cogitadas por lá é Ludwika Paleta - que vem a ser a Maria Joaquina da novela Carrossel. Que parada!

27.9.07

Rumoal óscar

Muita gente se surpreendeu agora com a indicação de O ano em que meus pais saíram de férias para ser o representante brasileiro na competição pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na matéria em que li isso no G1, havia uma avalanche de comentários irados com a escolha, reclamando que "era a nossa chance de ganhar um Oscar e jogaram fora", por terem preterido Tropa de elite.

(No meio, um perguntando: "caramba, esse povo todo comentando aqui assistiu o filme na única sessão dele em Jundiaí?". Esqueceu-se também da exibição no Festival do Rio.)

Bom, Tropa de elite eu não vi. Mas vi o que foi escolhido. É bem legal.

10.9.07

Pirataria do futuro

Você já viu Tropa de elite?

Pois li no RoncaRonca que já tem malandro vendendo em DVD o "Tropa de Elite 2".

Trata-se do Notícias de uma guerra particular , vejam vocês. E eu, atrasadão, não assisti a nenhum dos dois.

15.8.07

1, 2, 3 - e lá vai

O blog tá meio abandonado, eu sei. Minha habilidade de ser multi-tarefa nem sempre dá conta de tudo. Mas vamos lá, colocando aleatoriedades que me chamaram a atenção ultimamente:

* * * *

Vi o filme dos Simpsons semana passada. Muito, muito bom. Acho que não tem nenhum momento em que não esteja acontecendo alguma piada - mas isso é até fácil de fazer; o complicado é conseguir com que a maioria seja efetivamente engraçada.
Eles também mandaram bem ao evitar um cacoete comum sobre esse tipo de filme baseado em programa de TV: fazer com que a história gire em torno de um "grande acontecimento" para os personagens. Tipo casamento dos protagonistas, flashback das origens da história ou algo assim. O que eles fizeram, pra gerar um filme obviamente mais longo do que os episódios da TV, foi usar todo o portfolio da série nas tramas. Assim sendo, temos Lisa em uma cruzada politicamente correta, Homer fazendo idiotices, Marge se ressentindo das idiotices de Homer, Bart "aprontando todas" e por aí vai. Não podiam, é claro, faltar as participações especiais típicas - no caso, do Green Day e de Tom Hanks.
E vale ver no cinema, porque ainda é numa sala de cinema que a gente realmente se concentra numa mesma coisa por 1h30 (ao menos enquanto o celular do cara do lado não toca). E é maneiro ver que Simpsons vale o esforço.
* * * *
Fidel Castro agora é colunista da Caros Amigos, vejam que coisa.
* * * *
Volta e meia, Lula se mostra ressentido da crítica "dazelites"; reclama do fato dos que os criticam serem "os que mais ganharam" no governo dele. Uma coisa que eu sempre achei curiosa é: por que ele acha maneiro falar isso? É onda o fato de que os que sempre se deram bem passaram a se dar melhor ainda, enquanto pro resto as coisas mudam pouco?

Andei pensando nisso durante a última temporada de notícias sobre lucros recorde de cada um dos bancos desse país.
* * * *
E de vez em quando alguém ainda tem boas idéias, olha só: http://www.5segons.com/watch.php?id=2&v=K9hsIu6jPIg
* * * *
Vou dizer a que ponto chegou o futebol.

Temos aí um time na liderança do campeonato, disparado, que basicamente não sabe fazer gol. É um dos piores ataques da competição, com média pior ainda que a do Flamengo. E mesmo assim, repito, é líder disparado.
E a esperança que eu posso ter de que esse time mala não seja campeão - e, por consequência, de que eu não tenha que aguentar discussões malas sobre este time passar a ser "o único penta-campeão brasileiro" - é que a saída do Josué o prejudique muito, como vários comentaristas têm falado.

Josué!

23.5.07

Depois de Rocky Balboa...

Vem aí John Rambo - que é mau, pega um, pega geral. Se quiserem, pulem direto pra metade do trailer, aí é que começa pra valer.

28.3.07

Você sabia?

Steven Seagal, além de astro de filmes de ação, é mestre em aikido, diretor, roteirista e produtor de filmes. É engajado em causas ambientalistas. E músico - ele canta e toca guitarra e já lançou dois discos, tendo excursionado desde o ano passado com o show de sua banda, a Thunderbox.

E mais: é budista e reconhecido por autoridade de sua religião como um tulku. Ou seja: ele é uma reencarnação de um lama, no caso um tibetano do séc. XVII.

De vez em quando eu decubro coisas interessantes no trabalho.

2.2.07

Desejo com culpa

Preciso confessar: estou mesmo com vontade de assistir ao novo Rocky Balboa! É uma curiosidade mórbida, mas fazer o quê? Eu vi os outros cinco, queria ver esse também, pra ver até onde chegaram dessa vez.

O primeiro da série, de 1976, ganhou três Oscars - Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Edição. Entre outras indicações que o filme teve, estão as de Sylvester Stallone como Melhor Ator (acreditem!) e Melhor Roteiro Original (acreditem de novo - o roteiro é dele mesmo).

Stallone nunca mais foi indicado e nem nenhum outro Rocky foi levado a sério da mesma maneira. Mas a série tem momentos memoráveis, como o inacreditável final da luta pelo título no segundo filme, em que Balboa e Apollo disputam pra ver quem se levanta primeiro e leva assim o cinturão dos peso-pesados. Ou personagens como Clubber Lang, vivido pelo Mr. T do Esquadrão Classe A no terceiro filme.

O quarto, em que Rocky luta na União Soviética contra um lutador produzido em laboratório comunista, é das maiores comédias involuntárias já escritas até hoje. Já o quinto é só ruim mesmo, não tem nada que se salve.

Este sexto filme já está chegando na casa dos US$70 milhões de bilheteria só nos EUA, o que está de muito bom tamanho após seis semanas em cartaz. Afinal, o orçamento foi de menos de um terço disso aí. E as críticas por lá tem sido até bastante positivas, vejam só. A estréia aqui no Brasil é na sexta que vem.

Engraçado que sei que vem por aí um novo Rambo também, até já falei disso aqui no blog há um tempão atrás. Mas esse eu não teria nenhuma curiosidade de assistir.

24.1.07

Momento dicas culturais

Ontem, finalmente, fui ver pela primeira vez um show do Reggae B. Sempre tive vontade, mas toda vez tinha alguma coisa que me impedia de ir. Devo dizer que vale muito a pena pros simpatizantes de ritmos jamaicanos. Claro, é muito reggae (sem nenhum cover óbvio de Bob Marley, nenhum oiô-iô-iô nem nada disso) mas rola no meio ska, rocksteady, dub, enfim. E a banda é realmente afiada, de gente que conhece a parada e não faz nada de orelhada. Os trombones, especialmente, são um espetáculo. Escrevi uma resenha pro site do Odisséia, onde foi o show. Quando estiver no ar, eu coloco aqui o link procês lerem.

E meu programa de anteontem foi Mais estranho que a ficção, um filme que muitos comparam aos escritos por Charlie Kaufman (Quero ser John Malkovich, Adaptação - que eu adoro - e Brilho eterno de uma mente sem lembranças). Vá lá, tem a ver pela metalinguagem e pelo quê de fantástico e inusitado, apesar de ser um tanto mais adocicado (na verdade, não vi Brilho eterno ainda, estou comparando com os outros dois).

É sobre um fiscal da Receita (Will Ferrell, que normalmente eu abomino, mas nesse filme está surpreendentemente bem) que, de repente, começa a ouvir em sua cabeça a voz da narradora de sua vida - com sotaque britânico, ainda por cima. E a tal voz, que está sempre certa, dá dicas durante sua narrativa do que vai acontecer com o cara, que entra em desespero tentando descobrir quem afinal está escrevendo aquele livro de que é o protagonista. Para ajudar, procura um professor de literatura, que vai analisando a trama pra decifrar seu gênero e o estilo do escritor, não só para descobrir quem é mas para prever que desfecho poderia estar sendo tramado. Esse professor acaba sendo veículo para comentários do roteirista sobre sua própria história e os macetes e modelos que se usam por aí, assim como a escritora do livro ou até mesmo um médico que aparece no fim. É engraçado.

O filme perde um pouco de ritmo em um momento, fica meio arrastado um tempinho. E tem uma moral da história mostrada de maneira beeeeem didática. Mas tem sacadas muito boas e acaba sendo interessante, rrecomêindo mesmo. Ajuda bastante ter gente como Dustin Hoffman e Emma Thompson no elenco também.