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3.5.07

Pra não deixar passar em branco



Ontem assisti o pior jogo de futebol da minha vida. Entram na conta as peladas no Aterro e até as disputas de pênalti no corredor do apartamento em Copacabana que eu fazia com meu irmão quando tínhamos ali nossos 4 ou 5 anos de idade. O primeiro tempo acabou com o incrível placar de 2x0 - em finalizações! Apenas duas tentativas de gol em 45 minutos. Uma de pênalti, outra uma cabeçada num escanteio.

Descobre-se depois que ouve um quebra-pau no intervalo, com o Juninho dando piti por ter sido substituído. Se tivesse um pingo de autocrítica, teria abaixado a cabeça e pedido desculpas pela atuação patética. Não só ele, como qualquer um dos outros dez em campo - não se salvou ninguém, do goleiro ao centro-avante. Este último, coitado, ao menos foi o único que tentou.

A primeira coisa, agora, é mostrar aos jogadores que o momento é de mostrar que são homens. Que se importam com os resultados, que têm vergonha na cara, que são profissionais dispostos a fazer seu trabalho da melhor maneira possível. Pra começar a colocar isso na cabeça deles, que mandem o Juninho pra rua agora.

Quanto à parte técnica e tática, considerando o que se viu ontem, tem tanta coisa a ser feita que o tempo disponível não daria nem pra começar a arranhar o problema. Mas o time já teve momentos de bom futebol no ano. A primeira coisa a ser feita, pra mim, é perceber que não dá pra ganhar jogo sem meio-campo, e que não há meio-campo sem alguém que saiba passar a bola. Logo, não é inteligente colocar o único meia capaz de passar a bola pra jogar no ataque.

O time ontem teve apenas dois esboços de jogada, um em cada tempo: uma enfiada de bola para o Souza entrar na cara do goleiro e uma troca de passes interessante, com uma boa abertura de jogo pro Léo Moura cruzar e o Juan cabecear. Nas duas, lá estava o Renato Augusto armando o jogo. Mesmo em noite lamentável e fora de posição, ele foi o único ali capaz de pensar, olhar e passar com um mínimo de eficiência.

15.3.07

O Artilheiro



O Flamengo valeu ontem pelo primeiro tempo. Considerando que era um jogo fora de casa, com estádio lotado, a atuação foi até bastante boa - podia ter resolvido o jogo logo, se o juiz tivesse dado o pênalti no Roni ou se Souza e Juninho não tivessem perdido os gols feitos que perderam. A escolha do Ney Franco pela escalação ofensiva valeu a pena pelo recado que mandou ao time: é jogo pra ganhar, nada de jogar pelo empate.

No segundo tempo o time recuou, o Juninho saiu, o Renato Augusto cansou, o time recuou mais - poderia ter deixado de ganhar, se o Paraná fosse um pouquinho melhor. Mas nos 10 ou 15 minutos finais o Paraná nem passava mais do meio-campo, especialmente depois de ter um jogador expulso. O Flamengo tocou a bola (nem sempre lá muito bem...), podia ter ampliado e deu até um olézinho no final.

Pelo que os dois times mostraram ontem, difícil imaginar que em casa, com um campo grande e a torcid a favor, o Flamengo deixe de ganhar e garantir a vaga em primeiro.

* * * *

O gol do Zé Roberto ontem foi sacanagem.

Na verdade, ele sobra em muito tecnicamente em relação aos outros por aqui. Só de vê-lo matando a bola já se percebe a diferença.

9.3.07

O artilheiro



Um pouquinho atrasado sobre o Mengão campeão.

Primeiro: é só o primeiro turno do estadual. A conquista foi mais importante por dar tranquilidade ao time, tirar a pressão do Ney Franco e deixar a equipe se concentrar na Libertadores do que pela taça em si. Mas, se perdesse, ia ser dose.

Segundo: o que mais animou foi a demonstração do time de que consegue entrar em campo com vontade, correndo, marcando e sufocando quando precisa. Fora a demonstração da torcida de como pode fazer diferença. O Maracanã ficou bonito de se ver.

Agora, o jogo do time em si... Foi bem mais ou menos.

Continuaram dando bola para os laterais e torcendo pra eles resolverem sozinhos, em jogadas individuais, sem ninguém encostando pra ajudar. Com isso, o time nunca vai à linha de fundo, afunila as jogadas e facilita a marcação. O fato de Roni não encontrar o seu lugar em campo e errar todas as jogadas também não ajuda muito. Fora isso, a atuação do Claiton no primeiro tempo foi assustadora de tão ruim.

Que valha destacar, fora a vontade e a torcida, o Flamengo teve o Renato Augusto (correndo muito, fazendo um gol por acreditar na jogada e fazendo mais um cruzamento perfeito pra gol de cabeça, como já acontecera antes contra Potosí e Maracaibo), o Paulinho (um monstro!) e o posicionamento do Souza (que parou de tentar as jogadas de pivô, que nunca vai acertar mesmo, e se limitou a ficar na área pra cabecear).

O Flamengo não é um time ruim. Também não é uma grande equipe, mas tem elenco pra jogar de igual pra igual com qualquer um por ai. No primeiro tempo contra o Maracaibo, mostrou o quanto pode funcionar bem coletivamente; e contra o Madureira provou que está a fim de provar que pode ir longe. Juntando as duas coisas, dá pra ir longe.

27.2.07

O Artilheiro



Do Flamengo eu volta e meia falo, vocês sabem o que eu acho. O que deu pra reparar contra o Vasco é que o defeito da marcação frouxa no meio-campo sumiu com a entrada do Salino no lugar do Cláiton no intervalo. A diferença entre um tempo e outro foi gritante. Só coincidência? Sei lá.

E que sacanagem essa do Obina...

Sobre o Vasco: os volantes são muito fracos e jogam muito recuados. Os meias, Moraes e Conca, são os mais técnicos do time, mas são de jogar bem adiantados. Nisso, cria-se um espaço grande no meio-campo, entre a porção defensiva e a ofensiva do time, onde é mole do adversário trabalhar. Chega-se perto da área vascaína com tranquilidade. E essa distância ainda atrapalha a saída de bola - nisso, a ausência absoluta de laterais também não ajuda muito. A ligação rápida para o contra-ataque, que era o forte do time ano passado, sumiu. No geral, acho que o que o time ganhou com a troca de Conca por Moraes acabou perdendo - talvez até mais - com a perda dos volantes antigos e do Jean.

22.2.07

O Artilheiro



Sobre o Flamengo ontem.

Devemos dar o desconto de que o Maracaibo era um time de baseball improvisado em um campo de futebol. Devemos também dar o desconto de que, no segundo tempo, o jogo estava definido - e o Flamengo, que vinha de dois jogos cansativos seguidos, tem mais um decisivo contra o Vasco no domingo. Então, era lógico que o time procurasse se poupar.

Descontos dados: o primeiro tempo foi muito bom. O segundo tempo foi muito ruim.

No primeiro, o Flamengo fez o seu papel. Foi pra cima, marcou forte no campo do adversário, não o deixou respirar. Jogou para e com a torcida. Mas, além disso, mostrou uma movimentação e organização para atacar que não havia sido vista no time ainda. A bola girava de um lado para o outro o tempo todo, procurando abrir a defesa adversária com as viradas de jogo; sempre que a marcação apertava um jogador em uma lateral, Paulinho e Cláiton estavam mais atrás como opções e imediatamente giravam a bola para o outro lado. As jogadas pelas laterais assim saíam o tempo todo, assim como os cruzamentos para a área que Ney Franco pretendia. E se tem uma qualidade que o Flamengo já mostrou este ano, é o bom jogo aéreo. Não só as conclusões, mas principalmente os cruzamentos, com a bola rolando ou parada.

Eu sou cético com a dupla Obina e Souza, mas ontem eles encontraram uma movimentação interessante para funcionarem juntos. Enquanto Souza ficava mais fixo na área, Obina saía - mas sem cair pelos lados, vindo apenas para a cabeça da área ou para a intermediária, pelo meio, para fazer o pivô. Obina jogou muito, mostrou uma visão de jogo insuspeita e deu passes impressionantes. Só faltou ter conseguido o gol de bicicleta que tentou. O Maracanã viria abaixo.

Mas, lembrando o desconto pedido lá no início: o adversário era o Maracaibo. Para o esquema dos atacantes e toda a movimentação ofensiva funcionarem, foi necessário que os dois laterais apoiassem muito (Léo Moura esteve muito bem, aliás). Contra times mais fortes, pode ser bem mais complicado de se colocar isso em prática.

E o segundo tempo foi muito ruim. Com o time jogando de freio de mão puxado, os laterais pararam de subir tanto e o toque de bola inteligente deu lugar a jogadas individuais impossíveis, enfiadas improváveis pelo meio e muitas bolas perdidas. Quando, ainda assim, as oportunidades surgiram, os atacantes trataram de perdê-las; Roni mandou uma bola impressionante na arquibancada, mas o mais inacreditável foi mesmo o gol perdido por Souza, sem goleiro, na pequena área. Na parte defensiva, o time voltou a ser frouxo como nas partidas anteriores, o que parece ser o maior problema do Flamengo mesmo. Nos últimos jogos, houve sempre problemas na marcação no meio de campo, o que estourava lá atrás - e lá atrás ninguém tem sido confiável, até o Bruno já andou dando mole.

De qualquer forma, o primeiro tempo foi animador. Segundo PVC no Lance, "quase perfeito". Se o time conseguir chegar próximo àquilo com regularidade, pode dar em alguma coisa. Mas falta chegar lá contra adversários mais fortes.